A diferença imutável entre nascidos vampiros e transformados.
- Alice Gelmini

- 7 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de jul. de 2025
Vamos voltar alguns posts atrás quando falamos da anatomia dos vampiros, pois, há no entanto uma temática que não abordamos: afinal, existe diferença fisiológica entre os vampiros, especialmente aqueles que são transformados e os que já nasceram nesta natureza?
A resposta é que sim, drásticas, mas poucas. Desde os primórdios da pesquisa científica estudando os vampiros há uma discussão sobre a existência de diferenças substanciais entre essas duas formas da Besta se manifestar. Nós já citamos aqui no blog o pesquisador romeno Vasile Constantinescu e sua equipe, e vamos continuar com os estudos deles para embasarmos as descobertas até então usadas por todas as Organizações de Caçadores.
Tempo de Vida
É perceptível para a maioria dos pesquisadores que vampiros transformados vivem menos do que naturais vampiros. No entanto, há um impasse sobre o motivo para tal: grupos pró Hoffman & Schutz afirmam que o corpo do transformado é mais fraco do que os dos nascidos vampiros no que diz respeito ao tamanho e comportamento da Besta. Outros grupos, como o de Constantinescu apontam que, na verdade, o provável motivo para a vida mais breve dos transformados esteja na própria Besta ser mais inconsequente, rebelde e incontrolável do que as de pessoas nascidas vampiras. Independente do motivo, há um elemento em comum nas duas teorias: a Besta.
Por algum motivo, a Besta dos transformados se torna mais incontrolável antes dos nascidos vampiros, trazendo o final da vida. Eles se tornam mais vulneráveis aos frenesis, famosos surtos em que a Besta toma conta do corpo humano do vampiro e se torna um potencial perigo para humanos e disfarce de demais vampiros. Quanto mais frenesis um vampiro tem, mais a probabilidade deste perder o controle de si e entregar à Besta em menos prazo.
Um estudo de Garfield (2004) com 217 vampiros mortos ingleses e norte-americanos, cerca de 31% deles haviam vivido menos do que a média (200 anos), sendo que mais de 80% deles eram vampiros transformados. A média de vida destes transformados é de 152,3 anos. A causa da morte de 97% dos vampiros transformados foi em confronto com caçadores profissionais após tentativa de controle de frenesi, enquanto os outros 3% foram em situações de sacrifício em ambiente seguro com seus devidos grupos e famílias. Enquanto isso, os nascidos vampiros somaram 20% apenas de confronto por frenesi. O maior causador de morte neste grupo, com 42%, foi a falência dos órgãos funcionais dos vampiros - cérebro e coração.
Estes dados demonstram o quanto que a Besta funciona de formas diferentes, sendo aparentemente mais intensa em corpos transformados, e deixa a seguinte questão: por que nascidos vampiros têm em geral uma morte mais serena do que os transformados? Por que a Besta funciona de forma tão severa em corpos nascidos humanos?
Envelhecimento
A forma que os vampiros envelhecem também é diferente de acordo com a sua natureza. Em geral, todos os vampiros em média vivem até os 200 anos. A aparência, no entanto, não acompanha os mesmos padrões dos humanos. Sinais de velhice, que nos humanos começam em média aos 40 anos com pequenas rugas, sulcos e cabelos brancos, para os vampiros só acontece a partir dos 80 anos. Ou seja, é possível dizer que os vampiros têm o dobro de tempo para envelhecer em relação a um humano.
Esse padrão de envelhecimento em vampiros é o mesmo tanto para nascidos vampiros quanto para transformados, entretanto, há uma pequena diferença quando se trata da infância destes vampiros.
Enquanto vampiros transformados, caso a transformação tenha sido feita na infância, viverá todos os ciclos normais do envelhecimento tardio da sua nova natureza, os nascidos vampiros envelhecem de forma similar aos humanos até a maturidade do cérebro, aos 25 anos. Ou seja: o bebê vampiro terá desenvolvimento normal em relação aos parâmetros humanos, e não viverá com a mesma forma pelo dobro do tempo, como na natureza vampira típica, e isso se estende até a idade dos 25.
Acredita-se que isso se dá por conta do parasita não conseguir se adequar corretamente ao cérebro vampiro até a idade dos 25 anos, e que a plasticidade cerebral, bem como a adaptabilidade do parasita Besta acontecer, não se torna possível em um prazo menor do que este. Portanto, até os 25 anos, os nascidos vampiros possuem apenas a função de receber comida de seus progenitores, não tendo ainda a capacidade de caçar, curar ou qualquer outra habilidade própria. Essa incompatibilidade da Besta para com o cérebro infantil também ajuda no disfarce dos vampiros, já que permite que crianças e adolescentes frequentem a escola sem grandes problemas.
Mas por que o parasita consegue se adequar ao cérebro humano em situação de crianças transformadas? A resposta é: Imprevisível. A verdade é que o parasita da Besta se finca com demasiada brutalidade no cérebro infantil, tal como faz com um cérebro adulto, sem distinção. Este processo em crianças e adolescentes costuma ser muito mais doloroso do que em adultos, por conta justamente do cérebro. A diferença gritante entre uma criança ser formada através de pequenas células dos pais com tempo de 9 meses no útero da mãe vampira, e a mordida de um vampiro seguido de gotas de seu sangue para finalizar a transformação é clara por si só quanto ao processo de adaptabilidade da Besta. Em casos de crianças e adolescentes transformados, muitos morrem durante o processo por conta da incapacidade de se adaptar ao parasita.
É notável, de acordo com estudos de Constantinescu, que a grande maioria dos jovens que sobrevivem ao confronto com o parasita se tornam crianças precocemente maduras. Isso abre espaço para muitos estudos, como por exemplo pensar na possibilidade do parasita Besta acelerar o processo de maturidade cerebral.





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